ETA é essa palavra mágica que eu escrevi no seu pulso
com tinta preta, parecendo uma sigla, o ETA basco lutando nos confins da Espanha
terrorista branco
O rock'n'roll que corre vermelho nas veias picadas (ainda, e sempre, talvez)
ETA, essa coisa que acontece acontece sem pensar,
um mormaço subconsciente pairando sobre nós,
o simbolismo efêmero do voo dos pássaros rumo ao poente, alaranjado, por traz dos montes
por traz de tantos montes de gente,
a lua cheia, sem o uivo triste dos cães,
sem a boca morna para beber meu sangue,
são essas coisas que não afligem, que batem com força no peito
feito um infarto doce, doce...
o solo árido, a chuva que não vem, o capim sêco, e a poeira penetrando bem fundo,
e o homem sofrido, envelhecido prematuramente.
Pois bem,
ETA é isso tudo,
a brincadeira perdida nos traumas bobos da infância, a dor suprema sem razão,
sem explicações metafísicas, perdida no meio de tanta formula, de tanto leite.
Tantas flores compradas e entregues por um portador anonimo...
ETA, na loucura das noites urbanas, na confusão do pensamento, do desperdício falado
da energia revolucionária,
dos cabelos soltos voando com o vento tão perto do meu rosto,
a pele suada e fedorenta de toda toxina despejada no caminho
sob estas luzes de neon, o passar rápido dos carros,
os encontros nas mesas, no meio de tanta garrafa vazia,
os locais públicos e oficialmente certificados de muita loucura e pouco prazer.
Mas o ETA,
não é princípio em nenhuma conotação, e nem é meio, pois é todo ação,
nas noites frias engarranchado no meio das suas pernas, penetrando com força,
fazendo o púbis doer a cada impacto, a cada deslizada em qualquer das duas direções,
as costas molhadas de esquecimento e insegurança, o afoito e o controlador de nossas ações.
O momento
e o último deslize até o gozo
até o ETA
até aos deuses que não acreditamos
que polgamos diferentes de nossos filhos, chutando o ar com ódio
fazendo ETA em cada batida do punk
na cabeça que apanha estendido no asfalto, molhado de sangue
e o coração pifando com uns estalinhos agudos.
Estamos voando, estamos por cima da árvores, no cume do infinito,
o espaço sideral de nossas emoções.
ETA!
É assim mesmo,
tão perdido, tão miseravelmente alegre,
aquelas coisas que não existe alguem para ouvir na hora H do "natal sobre a terra"
o precipício existencial tão esperado, que os novos não vão saber transar
não é sozinho
nem a dois
é ETA
e é tão bom...
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
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